A 29.ª edição Expocosmética – Feira de Cosmética, Estética, Cabelo, Unhas e Maquilhagem tomou pulso ao presente do setor e projetou o futuro de vários segmentos de atividade.
Até ao fecho de portas da 29.º edição da Expocosmética, a maior feira ibérica de cosmética, estética, unhas, cabelo e maquilhagem –na EXPONOR durante três dias -, o tema da atualidade profissional mais pesquisado por cabeleireiros no ChatGPT era como conseguir um salão de beleza lucrativo. Uma particularidade que se percebe perante a realidade de um setor muito competitivo, onde apenas uma pequena franja dos que se iniciam em tamanhas lides empresariais consegue ultrapassar a barreira do quinto ano de atividade.
No Brasil, por exemplo, 90% dos negócios do segmento não sobrevive um punhado de anos. Em Portugal, onde há um universo composto por perto de 38.000 salões de cabeleireiro e institutos de beleza, (mais de 50 mil postos de trabalho), não existem números oficiais indicativos dessa mesma taxa. Mas, através da experiência e know-how do CEO da Lusty Professional, Rogério Navega, ficou a saber-se o que os empresários e profissionais terão de fazer para sobreviver e, mais do que isso, incutir crescimento nos negócios, nos próximos tempos.
“O perfil de cliente mudou. É jovem, digital, utiliza a marcação online, tem no Instagram a vitrine do serviço que procura, quer rapidez de atendimento, não gosta de estabelecer grande ligação (conversa) durante a permanência no salão, utiliza as redes sociais para referenciar a marca e está disposto a pagar mais por um trabalho com mais valor agregado”, revelou o especialista brasileiro, durante uma das várias palestras da Expocosmética, destinada providenciar dicas práticas aos profissionais do evento da EXPONOR, por forma a conseguirem incrementar melhorias nos negócios. “Se o Instagram de cada salão não está a vender é porque está invisível no setor”, atirou.
Para o consultor e empresário, “são as redes sociais que estão a fazer a Geração Z consumir (jovens entre os 12 e os 35 anos de idade), cerca três milhões de potenciais clientes, que têm de ser considerados nas estratégias comerciais” do setor. Do qual deverão fazer igualmente parte os mais de 500 mil brasileiros – “os segundos maiores consumidores de produtos capilares do mundo” – a residir atualmente em Portugal. Inclusive porque as brasileiras “são vaidosas” e “investem muito em beleza”.
Mais do que trabalhar mais, segundo o especialista, a indústria de beleza portuguesa terá de trabalhar melhor. Ou seja, usar mais as novas tecnologias, como a inteligência artificial (IA), para automatizar agendamentos/marcações, providenciar respostas rápidas, organizar melhor o negócio e gerir a carteira de clientes. “As mudanças não precisam de acontecer todas ao mesmo tempo, porque pode não ser sustentável. Basta que os investimentos sejam graduais, e que o resultado de cada um dê para avançar para o seguinte, para escalar o negócio”, precisou.
Mas, esta foi apenas uma de cerca de 30 iniciativas complementares a emprestar um dinamismo renovado à Expocosmética 2026, palco de apresentação das principais novidades em vários segmentos e que recebeu inúmeras demonstrações ao vivo, shows interativos, sessões técnicas e formativas, talks, conferências, concursos e ativações de marca.
“O dinamismo que vimos nos pavilhões demonstra que o setor da beleza está vibrante, focado na digitalização e na sustentabilidade”, considera Amélia Estêvão, diretora de marketing da Exponor, para quem a edição deste ano comprovou que “a Expocosmética é fundamental para impulsionar o crescimento dos profissionais e das empresas deste setor”.
É precisamente este dinamismo que dita a opção da Exponor por alargar os certames da área da beleza ao Algarve. Este ano, já entre os dias 31 de maio e 1 de junho, tem lugar a InBeauty Algarve, no Centro de Congressos de Lagoa. De há uns anos a esta parte que a Exponor leva até Lisboa a InBeauty, com reconhecido sucesso, que pretende agora replicar mais a Sul, numa zona de grande implantação hoteleira e de muitos espaços de tratamento estético, o que representa uma grande oportunidade de negócio para as empresas desta área.